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Quem é Gasoline MAAB? A ilustradora francesa que conquista o mundo das motos clássicas e carros de coleção

Gasoline MAAB desenha exatamente aquilo que mais faz o coração do Classic Man Ride e do Portal Gasolina bater mais forte: máquinas com alma, rodando entre memória, estilo e velocidade. Francesa, ilustradora hiper-realista e verdadeira motociclista, Noémie Marmorat transforma motos, carros, aviões e barcos em retratos carregados de emoção, como se cada traço fosse um quilômetro rodado.


Por trás desse nome artístico está Noémie Marmorat, uma motarde de alma e de sangue, que trocou o cargo de designer de produto por um caderno de papel especial, canetas e lápis de cor capazes de transformar motos, carros, aviões e barcos em retratos hiper-realistas cheios de emoção. Hoje, seu trabalho roda o mundo, ilustra garagens de entusiastas, campanhas de grandes marcas e até um livro recém-lançado, Lignes de vitesse. Nesta entrevista exclusiva, publicada em parceria pelo Portal Gasolina e pelo Classic Man Ride, ela abre o jogo sobre suas origens, a importância da família motociclista, a relação com suas Triumphs, o crescimento nas redes sociais e o desafio de viver da própria paixão unindo arte e motores.


1. Quem é Gasoline MAAB


Portal Gasolina/Classic Man Ride: Gasoline MAAB ou Noémie Marmorat?

Gasoline MAAB: Prefiro ser apresentada como Gasoline MAAB (Noémie Marmorat). O nome artístico Gasoline MAAB é ao mesmo tempo uma referência ao universo que amo e um acrônimo descritivo do que desenho: combina “Gasoline” (gasolina/mecânica, um toque de cultura auto/moto) e MAAB, que significa “Motorcycle, Automotive, Aviation, Boat” — moto, automóvel, aviação e barco, os quatro grandes domínios de veículos que represento nas minhas obras hiper-realistas.


PG/CMR: Se você tivesse que se apresentar pela primeira vez a um leitor brasileiro que nunca ouviu falar de você, como faria em poucas linhas?

Gasoline MAAB: Noémie Marmorat, conhecida como Gasoline Maab, é uma ilustradora francesa especializada em esportes mecânicos e máquinas excepcionais. Meu trabalho se destaca pelo estilo hiper-realista com canetas e lápis de cor, destacando design, mecânica e a alma dos veículos — automóveis, motos, aviões ou barcos. Em cada obra, capturo a potência, elegância e emoção dessas máquinas com precisão técnica e sensibilidade artística.


2. Origens: o lápis, a família e as motos


PG/CMR: Você diz que desenha desde pequena. Quando o desenho deixou de ser brincadeira de criança para virar algo sério?

Gasoline MAAB: Eu desenho desde a mais tenra infância. O lápis foi cedo meu meio de expressão natural e campo de brincadeira favorito. Tornou-se sério quando me formei designer de produto. Depois, minha paixão migrou para máquinas e esportes mecânicos. Fascinada por linhas, curvas e mecânica, desenvolvi um estilo preciso e exigente — o desenho virou mais que paixão: uma assinatura artística.


PG/CMR: O que levou você a unir família apaixonada por motos, design e esportes mecânicos? Foi mesmo o pedido do seu irmão pela Kawasaki Ninja 300?

Gasoline MAAB: Sim, foi o pedido do meu irmão o verdadeiro gatilho. Nunca tinha desenhado veículos, e sua primeira moto foi o primeiro — uma revelação, pois não sabia que conseguiria desenhar assim.


PG/CMR: O que a moto representava para você na adolescência?

Gasoline MAAB: A moto representava para mim muito mais do que um simples meio de transporte. Era uma promessa de liberdade, a ideia de poder escapar, traçar o próprio caminho, sentir o vento e não depender de ninguém.


3. O nascimento da Gasoline MAAB


PG/CMR: Quando criou a identidade Gasoline MAAB? Quando percebeu que não era mais freelance, mas um projeto de vida?

Gasoline MAAB: Criei a Gasoline MAAB em 2018 dizendo a mim mesma que eu não necessariamente conseguiria viver disso, porque é difícil viver da própria paixão de modo geral, e ainda mais no setor da arte. Por essa razão, nunca me coloquei pressão nem objetivos, e no fim tudo aconteceu naturalmente. Levei vários anos para entender que aquilo se tornaria um verdadeiro projeto de vida, uma marca artística.


Não reflito muito sobre os últimos 8 anos, e ainda custa crer que meu trabalho é conhecido no mundo todo.


4. Motos na vida e na garagem


PG/CMR: Você é descrita como verdadeira motociclista. Qual sua história pessoal com as duas rodas?

Gasoline MAAB: Na Moto Magazine, falam de mim como uma “verdadeira motarde”, e isso não é por acaso. Minha história com a moto é profundamente pessoal e familiar. Cresci em uma família de motociclistas, e foi graças a eles que essa paixão entrou na minha vida. As conversas, o cheiro de gasolina, as motos na garagem… Tudo isso fazia parte do meu cotidiano.


Na adolescência, a moto já representava liberdade, barulho, velocidade, estética bruta. Depois, a fascinação se tornou prática: a habilitação, os primeiros passeios, os quilômetros acumulados.


Todos os anos, nós partimos juntos para longas road trips de moto. Viagens intensas, feitas de paisagens, cansaço, risadas e partilha. Foi nessas estradas que minha paixão se enraizou de forma duradoura.


PG/CMR: Qual a primeira moto que marcou sua vida?

Gasoline MAAB: A primeira moto que me marcou é uma moto que ainda tenho na minha garagem, minha moto do coração, a Triumph Thruxton 1200 RS. Por que ela? Primeiro, pela estética. Essa linha neo‑retrô, ao mesmo tempo agressiva e elegante, com seu visual de café racer moderno. Ela emana uma presença forte, atemporal, quase magnética.


Depois, pelo caráter. Seu motor é vivo, cheio de torque, expressivo. Ela tem essa mistura perfeita entre potência controlada e sensações brutas. Cada aceleração conta alguma coisa, cada vibração lembra que se está em uma verdadeira máquina de caráter.


Mas, para além da ficha técnica, é uma questão de sensação. É uma moto que combina comigo: exigente, precisa, estética, autêntica. Ela me acompanhou na estrada, em momentos importantes, e simboliza um marco no meu percurso de motociclista. Não é apenas uma moto. É um laço emocional.


PG/CMR: Hoje, que motos fazem parte da sua garagem? O que cada uma representa no seu dia a dia e no seu trabalho? Aliás, eu acho a sua garagem uma das mais charmosas que já vi na Internet.

Gasoline MAAB: Obrigada pelo elogio à minha garagem! Atualmente tenho duas motos na garagem, a Triumph Thruxton 1200 RS e uma Triumph 1200 Bonneville Bobber Black. A Bobber Black não é uma moto “asseptizada”: ela tem caráter, torque, e uma forma de pilotar muito instintiva. A gente sente cada curva, cada mudança de ritmo. E, esteticamente, ela é linda demais!


As Triumphs de Gasoline MAAB
Uma das mais belas garagens que você verá nas redes sociais. Foto: Gasoline MAAB

5. Redes, comunidade e vida de artista nômade


PG/CMR: Quando sentiu sua comunidade crescer nas redes?

Gasoline MAAB: Foi durante o período da Covid que eu realmente senti minha comunidade crescer nas redes sociais. O contexto era particular: todos nós tínhamos mais tempo, e também mais silêncio. Da minha parte, pude me dedicar plenamente ao desenho, criar mais, desenvolver novas ilustrações e lançar projetos em cada um dos meus universos — moto, automóvel, aviação, náutico.


Esse período me permitiu ser mais regular, mais presente, mais engajada na minha criação. Em paralelo, as pessoas estavam muito mais ativas nas redes sociais. Havia uma verdadeira vontade de descobrir, trocar e escapar através das imagens.

Acho que essa combinação — mais tempo para criar e um público mais presente — foi um ponto de virada. Foi nesse momento que realmente senti que minha comunidade ganhava amplitude e que meu trabalho alcançava um público cada vez mais amplo.


PG/CMR: Como equilibra criação, clientes, viagens e redes?

Gasoline MAAB: Para mim, o equilíbrio entre criação, clientes, viagens e redes é uma questão de organização e de prioridades, mas também de paixão. A criação de obras pessoais continua sendo o coração do meu trabalho. É o que me alimenta artisticamente e me permite continuar evoluindo. Reservo tempo toda semana para meus projetos pessoais, mesmo que o resto da agenda esteja cheio.


Os trabalhos encomendados pelos clientes são igualmente importantes, com prazos a serem respeitados. Aqui, o importante é planejar com precisão cada etapa para entregar um trabalho cuidadoso sem sacrificar minha criatividade.



As viagens e eventos são integrados ao meu planejamento em função da estação do ano e das oportunidades. Às vezes são intensos, mas eu os considero também uma fonte de inspiração e um meio de permanecer conectada à minha comunidade e ao mundo dos esportes mecânicos.


O conteúdo para as redes sociais não é apenas uma ferramenta de marketing; é uma extensão do meu trabalho. Muitas vezes combino os momentos de criação e os momentos de partilha: um desenho vira uma publicação, um passeio de moto vira uma narrativa visual.


No fim das contas, tudo é uma questão de sinergia: cada atividade alimenta as outras. Eu planejo, priorizo, mas também deixo espaço para a intuição e para a inspiração do momento, para que o ritmo permaneça vivo e motivador.


PG/CMR: O que você acha que faz as pessoas se conectarem ao seu trabalho?

Gasoline MAAB: Acho que a conexão que as pessoas têm com o meu trabalho vem da mistura de vários elementos, não de um só.



A técnica e o realismo: meus desenhos são precisos, detalhados, com uma atenção particular às linhas, aos materiais e às vibrações mecânicas. Isso atrai os amantes de máquinas e os apaixonados por detalhes.


A estética: cada moto, carro, avião ou barco é valorizado como uma obra em si. As composições, contrastes e atmosferas fazem com que minhas ilustrações agradem visualmente, mesmo a quem não conhece necessariamente as máquinas.


A paixão pelas motos e pelo lifestyle: não desenho apenas veículos, compartilho minha experiência, meu sentimento, meu cotidiano de motociclista e viajante. As pessoas sentem que eu vivo o que desenho, e isso cria um vínculo emocional.


Minha personalidade e meu universo: sou autêntica, próxima da minha comunidade e mostro os bastidores do meu trabalho e das minhas viagens. Essa mistura de sinceridade, curiosidade e partilha torna meu trabalho acessível e humano.


Em resumo, acredito que as pessoas se conectam ao mesmo tempo com o que veem, com o que sentem e com o que compartilho da minha vida. É esse trio — técnica, paixão e autenticidade — que faz a força do meu universo.


6. Futuro da Gasoline MAAB


PG/CMR: Vamos falar sobre o futuro da Gasoline MAAB. Quais os próximos passos?

Gasoline MAAB: Para o futuro, vejo meu trabalho evoluir em vários eixos complementares:


Exposições internacionais: eu gostaria que minhas ilustrações viajassem mais longe e fossem vistas em diferentes países, em galerias ou durante eventos ligados aos esportes mecânicos e à arte.


Atualmente estou lançando um livro que se chama Lignes de vitesse e que estará disponível em vários lugares, entre eles a Fnac, a Amazon etc.



PG/CMR: Já teve contato com o público brasileiro?

Gasoline MAAB: Ainda não tive a oportunidade de participar de eventos no Brasil, mas eu adoraria!, então ainda não encontrei o público local pessoalmente.

Por outro lado, já recebi encomendas vindas do Brasil, o que me permitiu entrar em contato com apaixonados e clientes brasileiros. Esses projetos me permitiram compartilhar meu universo e meu trabalho à distância, e é sempre enriquecedor ver que minhas ilustrações encontram eco em nível internacional, mesmo sem presença física no local.


PG/CMR: Qual mensagem você deixaria aos motociclistas e fãs de clássicos brasileiros?

Gasoline MAAB: Eu diria a eles: “Continuem seguindo a sua paixão com entusiasmo e curiosidade. As motos e os carros clássicos não são apenas máquinas: são histórias, sensações, emoções. Reservem um tempo para descobri‑los, compreendê‑los e apreciá‑los, seja na estrada, nas suas garagens ou através da arte.

Para mim, cada máquina conta alguma coisa, e espero que o meu trabalho possa inspirá‑los a viver plenamente a sua paixão, compartilhar momentos únicos e celebrar a beleza e a alma desses veículos.”


PG/CMR: Teria algum conselho para quem quer viver da paixão, como você?

Gasoline MAAB: Eu diria sobretudo para nunca separar paixão e trabalho, mas deixar que eles se enriqueçam mutuamente. Em resumo: trabalhem duro, permaneçam apaixonados e sejam autênticos. É essa combinação que transforma um sonho em realidade e permite viver daquilo que se ama.


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