Existe uma fantasia recorrente entre os que governam: a de que o cidadão perfeito é aquele que não se move sem autorização. Não faz nada sem protocolo. Não decide nada sem um formulário. A moto incomoda porque ela ainda é, por enquanto, um ato de liberdade quase indecente – você parte, você escolhe a estrada, você define o ritmo. Isso é intolerável para quem precisa de corpos previsíveis. De George Orwell a Tocqueville, passando por Huxley. De Friedrich Hayek a John Stuart Mi