8 Mitos do Estilo Masculino: Lições para o Homem Clássico
- José Caetano

- 5 de nov. de 2025
- 6 min de leitura
Em décadas trabalhando como jornalista e fotógrafo – dos corredores da Santa Sé às passarelas das semanas de moda –, aprendi que o estilo masculino não é vaidade passageira, mas uma expressão de caráter e tradição. E para quem anda de moto, o vestir-se vai além da aparência: é proteção, conforto e uma declaração de elegância na estrada. Inspirado em um artigo clássico do site Art of Manliness, desvendamos aqui 8 mitos comuns que impedem muitos homens de elevarem seu guarda-roupa. Mas com um twist: adaptamos para o homem que ama rotas sinuosas, cafés à beira da estrada e uma vida ancorada em valores perenes.

1. Você precisa seguir as últimas tendências da moda.
Mito: O homem estiloso deve estar sempre atualizado com as novidades das passarelas.
Realidade: Tendências são armadilhas de marketing, projetadas para fazer você gastar em peças efêmeras. Existe realmente alguns problemas em tentar seguir a última moda. Em primeiro lugar, é preciso perceber que as marcas mais famosas de moda não estão muito focadas em homens com certa idade, além disso, eles querem vender o tempo todo. Só isso.
Daí surge um outro problema, pois, seguir as tendências exige um orçamento compatível e nem todos nós podemos nos dar ao luxo de gastar com aquilo que surgiu agora na vitrine.
O terceiro problema é que as marcas da moda criam roupas para se tornarem obsoletas rapidinho. Então, aquela jaqueta verde esmeralda dessa temporada não será tão bacana no próximo ano.
No Classic Man Ride, defendo o clássico: invista em itens duráveis como uma boa jaqueta de couro discreta ou botas, também de couro, que combinam perfeitamente com uma viagem de moto. Elas não saem de moda e respeitam o princípio conservador de evitar o desperdício.
Para os trajetos urbanos que te levam ao trabalho, um blazer de linho para o verão e de lã para o inverno, no seu tamanho, são peças coringa para manter o estilo, seja com camisa social ou até mesmo com camiseta. Lembre-se: Steve McQueen não precisava de "cores da estação" para ser ícone.
2. Você precisa de um corpo perfeito para se vestir bem.
Mito: Só quem treina diariamente pode parecer elegante.
Realidade: O corpo ideal é mito hollywoodiano; o segredo está na alfaiataria. Como marido e pai, sei que a vida real inclui responsabilidades familiares, não horas infinitas na academia. Uma camisa bem cortada ou calças ajustadas podem realçar qualquer silhueta – pense em camisas pretas - não cinza - para disfarçar a barriga pós-churrasco. Na moto, uma jaqueta ajustada não só embeleza como protege, provando que estilo é acessível a todos.
O importante aqui é você estar extremamente consciente do seu tipo de corpo e vestir roupas adequadas. Certa vez, um saudoso amigo, Lula Rodrigues, editor de moda de um grande jornal carioca, me disse que gordinhos com calça skinny ficam parecendo azeitonas de martini com dois palitos.
A chave é saber que tipo de roupa veste bem seu corpo, justamente para não ficar parecendo que você está usando roupas de outra pessoa. Sabe aquela história de que o defunto era maior? Então.
Claro que o melhor seria as duas coisas, isto é, ter um corpo bem cuidado, o que lhe ajudaria a não ficar preocupado com o que vestir ou com os remédios que você terá que fazer uso constante.
O segredo é experimentar a roupa antes de comprar, ainda que essa atividade esteja se tornando cada vez mais rara em um mundo de lojas digitais.
3. As pessoas julgam pelo caráter, não pela aparência.
Mito: Seu interior basta; o exterior é superficial.
Realidade: Primeiras impressões contam sim, e uma aparência descuidada sinaliza desleixo. Em uma sociedade como a nossa, vestir-se bem é sinal de respeito – por si, pela família e pelos outros. Imagine parar em um bar clássico durante uma viagem de moto: uma roupa bem alinhada abre portas para conversas boas, enquanto roupas largadas fecham. É bíblico: "O homem vê o exterior, mas Deus vê o coração" – mas nós, humanos, começamos pelo exterior.
Nossa aparência sempre está enviando sinais às outras pessoas, então, aquela bota desleixada, uma calça desproporcional, a velha camiseta de estimação que deveria ter virado pijama há muito tempo, tendem a dar mensagens equivocadas às pessoas, e por mais eremita que você seja, muitas vezes você irá depender de outras pessoas.
Aqui eu faço um destaque para o calçado. Uma querida amiga, extremamente inteligente e bem sucedida, confessou-me certa vez que seu pai lhe ensinava a olhar os sapatos das pessoas, pois os sapatos dizem muito, e isso é uma grande verdade.
4. Vestir-se com estilo leva mais tempo que jogar fora qualquer coisa.
Mito: Um guarda-roupa curado complica a rotina matinal.
Realidade: Pelo contrário! Um armário com peças intercambiáveis – como jeans tradicional, camisetas neutras e uma jaqueta de moto versátil – acelera decisões. Na minha experiência fotografando para revistas de moda, vi que organização poupa tempo.
Para o motociclista, isso significa sair rápido para uma rota, sem perder minutos vasculhando pilhas de roupas velhas. Para quem precisa sair para trabalhar, a combinação de poucas peças pode transformar completamente seu look.
O que entra em jogo aqui é aquilo que chamamos de Paradoxo da Escolha, ou seja, quanto mais opções de escolha eu tiver, mais difícil torna-se escolher algo. Você já deve ter experimentado isso em restaurantes que oferecem um menu gigante, com inúmeras opções. Como é difícil escolher o que comer!
O segredo não é ter mais, mas ter coisas que possam ser intercambiáveis.
Revise seu armário semestralmente (ou, pelo menos, anualmente): doe o desnecessário que ainda esteja bom para se usar. Vai facilitar sua vida e ainda vai ajudar quem mais precisa.
5. As roupas estão prontas para vestir tão logo saiam da loja.
Mito: Compre e use, sem ajustes.
Realidade: Produção em massa ignora variações individuais; alfaiataria é essencial. Uma calça de alfaiataria ou camisa de linho precisa de bainha ou ajustes para cair perfeita.
Quanto mais tamanhos uma marca precisa produzir, maiores serão seus custos de produção. Por isso, as marcas costumam produzir uma escala de tamanhos padrão. Eu sei muito bem o que é isso, porque já lancei uma marca voltada ao público das motos e na primeira produção, erramos feio na grade de tamanho, micando com parte do estoque.
Mangas e barras de calças precisam de ajuste quase sempre. Até mesmo jaquetas de moto, que precisam ser muito bem ajustadas ao corpo, muitas vezes precisam de ajuste e não é fácil encontrar quem faça isso com profissionalismo.
Eu já fotografei para grandes marcas de moda italianas e o que eu percebi é que sempre havia uma costureira especializada em suas lojas para já realizar os ajustes necessários na hora da venda e, por isso, essas marcas famosas vestem tão bem qualquer pessoa.
Portanto, encontre um bom alfaiate local – é um investimento que dura, como restaurar uma moto clássica.
6. Tamanhos de roupas são consistentes entre marcas.
Mito: Um "M" é sempre "M".
Realidade: Marcas variam em medidas; experimente sempre.
Minhas duas últimas compras de camisas através de sites online, mesmo seguindo a famosa “tabela de medidas” foram um desastre. Precisei devolver as camisas e receber o reembolso, além de ficar cismado ao comprar roupas online. O que para uma marca ocidental é XL, para uma marca oriental, por exemplo, é XXXL.
Roupas do exército americano levam isso muito a sério. Além da grade de medidas variar enormemente entre largura e comprimento, para atender a todos os perfis dos militares, eles possuem uma tabela NATO Size, que compara as fardas de todos os exércitos que compõem a OTAN.
A solução disso é guardar suas medidas (cintura, tórax, comprimento do tronco, braços e pernas, largura do ombro) no celular. Isso ajuda muito na hora que comprar online e garante menos perrengues.
7. Vestir-se bem custa uma fortuna.
Mito: Estilo é para ricos.
Realidade: Com estratégia, é acessível. Compre em brechós, promoções ou invista em qualidade que dura – como uma bota de couro que aguenta anos de poeira e estradas. E aqui seguimos uma lição de doutrina social católica que serve pra tudo: cuide bem do que tem, evite consumismo.
Você não precisa comprar suas roupas naquela loja popular que vende tudo a preço de um cacho de bananas. Certamente a roupa não lhe cairá bem. Mas compre com inteligência. Marcas de renome, ainda que mais caras, costumam vestir melhor e ainda durar muito. Então, procure peças atemporais de marcas boas no caso de casacos, jaquetas e calças.
Para camisetas e camisas, grandes redes nos ajudam a comprar o básico por um bom preço. Além disso, fique de olho em promoções, queimas de estoque, mudanças de estação. Isso pode ajudar a montar um bom guarda roupa sem gastar rios de dinheiro.
8. Ler sobre estilo basta para dominá-lo.
Mito: Artigos e livros substituem a prática.
Realidade: Conhecimento teórico guia, mas experimente! Comece lendo (como este artigo), mas teste: prove uma gravata em um jantar familiar ou uma jaqueta nova em um passeio de moto. Erros ensinam, como diria o Mestre Yoda a Luke em seu exílio em Dagobah. No Classic Man Ride, estilo é jornada, como uma viagem longa: comece devagar, ganhe confiança.
Enfim, teste comprando alguma coisa. Veja o que você gosta e o que você não gosta. Aprenda seus gostos, o tamanho de seu corpo. Cometa alguns erros, porque todos nós cometemos.
Em resumo, despir esses mitos libera o homem para uma vida mais elegante e intencional.
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