A Origem das Motos Scrambler e seu retorno necessário
- José Caetano

- há 1 dia
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A história das scramblers é, antes de tudo, uma história de atitude e começa muito antes do próprio termo existir. Mas sua existência foi tão necessária em sua época como seu retorno tem se mostrado bem apreciado nos dias atuais.
O contexto do surgimento das scramblers é o pós-guerra, anos 40 e 50, especialmente nos EUA e na Inglaterra, quando os soldados que voltavam dos combates ainda sentiam falta da adrenalina e liberdade e as estradas pavimentadas eram ainda escassas. Portanto, levar a moto para fora do asfalto era algo absolutamente natural.
Como não havia motos criadas especificamente para o off road, a customização surgiu por necessidade. Os pilotos começaram a modificar suas próprias máquinas para que suportassem o tranco do fora de estrada sem abrir mão de serem usadas na ida e volta do evento, ou seja, no asfalto.

O que era modificado?
As modificações eram pragmáticas, não estéticas. Os escapamentos eram levantados para não afundarem na lama ou na travessia de rios, o guidão ficava mais alto e mais largo, para um melhor controle no terreno irregular. Os pneus ganhavam uma tala mais grossa para uma maior tração na terra, e tudo o que era desnecessário era retirado, para não gerar peso morto.
O resultado visual que hoje chamamos de “scrambler” nasceu da função, não do design. Isso é importante entender: a estética era consequência, não intenção. Ainda que hoje seja a estética que nos ajuda a identificar uma scrambler moderna.
O nome e a cena de corrida
O termo “scramble” vem das corridas off-road britânicas do início do século XX. Eram eventos caóticos, sem traçado fixo, onde os pilotos literalmente “scramblavam” pelo terreno. Nos EUA, a modalidade equivalente ficou conhecida como desert racing ou dirt track. O termo não tem uma tradução literal, mas pode ser algo como “escalar” ou “encontrar o caminho”.
Marcas como Triumph, BSA e Norton dominavam esse cenário. A Triumph, especialmente, tinha na América um mercado ávido por motos que pudessem ser levadas ao limite, e muitas das scramblers mais icônicas da história nasceram em fábricas britânicas pensando no público americano.
O momento cultural definitivo: Steve McQueen
Nenhuma conversa sobre scramblers está completa sem falar em The Great Escape (1963). A cena em que McQueen salta a cerca de arame numa Triumph TR6 — na verdade pilotada pelo amigo e dublê Bud Ekins — cristalizou a scrambler no imaginário popular.

McQueen era piloto de verdade, competia em corridas off-road e entendia de motos. Não era pose. Isso transferiu autenticidade para a máquina.
A Ducati e o renascimento moderno
O conceito ficou adormecido com a ascensão das enduro e das trail nos anos 1970-80. O renascimento moderno tem um marco claro: a Ducati Scrambler Icon, relançada em 2014/2015. A Ducati ressignificou o conceito, não como moto off-road, mas como postura de vida: descomplicada, versátil, com personalidade.
Abriu um mercado inteiro. Triumph, Royal Enfield, BMW e outras seguiram.

O que isso tem a ver com o Slow Ride
A scrambler original era sobre velocidade, mas também era sobre presença no terreno, adaptação, e a liberdade de ir onde o asfalto acabava. A moto era ferramenta de exploração, não de só performance.
O Slow Ride nasce do mesmo espírito, com vocabulário diferente. Não é sobre ir devagar — é sobre estar presente. A scrambler era o veículo de quem queria descobrir o que havia além da estrada. O Slow Ride está propondo o mesmo, com qualquer moto, mas com as scramblers parecem ter nascido para essa filosofia. Não são motos extremamente velozes para o asfalto e nem tão brutas para um trilha pesada. Como diz o Cássio Pinhal, colaborador no canal Portal Gasolina, elas não são ótimas em nada, mas são boas em tudo.
Quem sabe, além da minha Bonneville T120, possa surgir uma scrambler em minha garagem, original, isto é, uma moto de asfalto customizada, ou uma uma scrambler de fábrica. Tudo é possível.




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