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Interlagos: o nosso templo da velocidade

Desde que me lembro por gente, o Autódromo José Carlos Pace, conhecido também como Autódromo de Interlagos – por sua coincidência com o bairro do mesmo nome de São Paulo – tem populado a minha imaginação com tantas lendas da velocidade que ali correram. Recordo-me bem de Nelson Piquet, Alain Prost, Nigel Mansel e, claro, de Ayrton Senna e Rubens Barrichello.


Segundo consta, foi o grande locutor Reginaldo Leme quem cunhou o apelido daquela pista de "Templo do Automobilismo Brasileiro" e, depois, com os excessos de adjetivos das transmissões da Globo, acabou sendo conhecido como "Templo Máximo". Talvez uma referência ao Circus Maximus de Roma, que abrigava as famosas e mortais corridas de bigas e que hoje é só um grande gramado, muito bom para um pequenique sob o sol do inverno.


Eu não me recordo de Jacarepaguá, nem de outras pistas no Brasil, e conheço pessoalmente alguns outros autódromos por aqui, mas Interlagos realmente tem algo de mágico.


A primeira vez que lá estive não foi para assistir uma corrida, mas já como jornalista, junto a meu amigo Luiz Gustavo Cabett, em seu Alfa Romeo 145 Quadrifoglio, tive a imensa surpresa de adentrar direto no Box 01 e poder passear livremente por aquele espaço em que tantos heróis das pistas caminharam. Mas, faltava uma coisa: pilotar uma moto – veículo que sou verdadeiramente apaixonado – naquele asfalto.


Triumph Scrambler 400 XC em Interlagos


A verdade é que, neste último Suhai Festival Interlagos de motos, eu pude ir como editor-chefe do Portal Gasolina, a única revista digital brasileira especializada em motos clássicas, cruisers e customs e tive a oportunidade de pilotar naquele asfalto abençoado.


Triumph Scrambler 400 XC em Interlagos
Não tem como narrar a emoção de rodar em Interlagos (foto: José Caetano/Classic Man Ride)

A moto que me coube não foi nenhuma superbike, mas, sim, uma clássica Scrambler XC de 400cc, lançada há pouco tempo pela Triumph no Brasil. Uma moto que não foi feita para aquela pista e tampouco para qualquer outro autódromo.


É uma motocicleta urbana, porém de uso misto, podendo encarar um off road leve, com seus 40cv de pontência a 8000 RPM. Aliás, RPM que fiz questão de usar ao máximo que prudência me permitia para tentar andar próximo da Rocket III que meu amigo Cássio pilotou naquele dia.


Como uma moto de 40cv poderia acompanhar a moto mais forte do mundo? Eu também não sei, mas os limites impostos pela organização do Festival acabaram tornando essa competição um pouco igualitária, para minha sorte.


Em resumo: pude testar a Scrambler 400XC no máximo que os asfalto permitiu e poso dizer algumas coisas. Ela e sua irmão, a 400X, têm aquele desconforto do escalonamento de marchas, mas isso só é sensível em giro baixo. Quando você usa o motor com a rotação alta, ela se comporta como qualquer outra moto. Além disso, a vibração que muitos relatam ser excessiva a 120km/h só acontece em velocidade de cruzeiro. Na três voltas que dei na pista, muitas vezes mantendo os 120km/h nas duas retas e chegando, inclusive, a ultrapassar essa marca facilmente na reta oposta, não pude sentir.


Enfim, essa moto tem outra proposta e merece que eu volta a rodar com ela no terreno que em que ela impera, ou seja, na cidade, nas estradas vicinais e no off road leve. Mas se você não está pensando em correr em Interlagos e deseja uma boa moto para enfrentar a selva de pedra ou mesmo uma pequena mata na zona rural, pode ir sem medo. É uma moto muito confortável e muito obediente.



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© 2024 por José Caetano. Criado com Wix.com

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