Crise do Petróleo: o rolê de domingo em xeque
- José Caetano

- há 2 dias
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Aqui está um editorial que eu não gostaria de escrever, não porque eu seja uma pessoa alienada e prefira estar fora da realidade, mas porque o tema é pesado mesmo. Nunca é fácil falar de guerra e de suas consequências, especialmente uma crise do petróleo, mas eu sou jornalista e tenho escrito sobre esse tema para um grande jornal para o qual faço reportagens especiais e tenho visto que essa guerra que tem escalado no Oriente Médio já começa a afetar nosso estilo de vida aqui no Brasil.

Desde os ataques de 28 de fevereiro, quando EUA e Israel eliminaram o aiatolá Ali Khamenei em Teerã, mísseis e drones cruzam o céu do Golfo. O Estreito de Ormuz, vital para 20% do comércio global de petróleo, está virtualmente fechado, paralisando rotas essenciais.
Não para por aí: o Irã retaliou com ofensivas pelo Golfo Pérsico, afetando até metade do fluxo mundial de óleo em alguns trechos. O barril Brent superou US$ 100, injetando risco em cada litro que chega às bombas.
No Brasil, as distribuidores e refinarias já reajustaram o preço do diesel e da gasolina, o que já está refletindo nas bombas. Ainda que não haja escassez física generalizada de petróleo bruto no Brasil, há racionamento seletivo de diesel refinado pela Petrobras, afetando distribuidoras e Transportadores Revendedores-Retalhistas (TRRs), com alguns relatos de desabastecimento pontual em regiões como Nordeste, RS, MS e MG pipocando pela Internet.
Segundo a Gazeta do Povo, a Petrobras aplicou uma redução na distribuição do diesel para evitar a formação de estoques e priorizar demanda essencial, já que importações caíram. Segundo estimativas mais pessimistas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), os estoques privados de Diesel duram no máximo mais 15 dias, especialmente no Sul e no Nordeste. Contudo, a queda da importação se dá mais pela defasagem de 60-85% nos preços da Petrobras em relação ao mercado internacional do que diretamente pela falta do transporte do petróleo no Golfo Pérsico.
Uma fonte que trabalha numa grande refinaria da Petrobrás me confidenciou que falta de combustível não há, por enquanto, mas a redução nas vendas é muito real e o clima de preocupação dentro da refinaria é muito presente.
Mas você pode estar pensando agora que nossas motos não são movidas à diesel. Ledo engano. Caminhões movidos a diesel trazem nossa gasolina (batizada com 30% etanol) até os postos. Sem diesel, sem gasolina. Sem gasolina, adeus slow ride.
Portanto, não só a desgraça das vidas perdidas numa guerra afetam nossa vida, mas as consequências logísticas de um conflito desse tamanho acabam por afetar todas as pessoas no mundo inteiro. Basta ver o preço da gasolina subindo desregradamente nas bombas
Guerra não mata só vidas – paralisa estradas, encarece sonhos. O Classic Man resiste: priorize rotas curtas, cultive a elegância sem pressa. Que o ouro negro escasso nos lembre: verdadeira liberdade vem da alma, não do tanque.




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