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Trinta e três homens. Todo dia.

Trinta e três. É quantos homens morrem por suicídio no Brasil, em média, a cada vinte e quatro horas. Não é uma estimativa vaga. É o que resulta dos dados do Ministério da Saúde: 15.507 mortes em 2021, 77,8% delas masculinas. Faça a divisão. Chegue ao mesmo número que eu cheguei. Fique um tempo com ele.


Eu me deparei com essa estatística depois de ver um vídeo. A música era Silent Lucidity, do Queensrÿche — uma das grandes baladas do rock dos anos 90, que faz parte da minha coleção de LPs até hoje. O clipe trazia um dado que me parou: 700 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. Setecentas mil. A OMS confirma: são 703 mil mortes anuais, o equivalente a uma morte a cada 43 segundos.


Quando fui investigar mais fundo, o que encontrei me fez sentar e ficar quieto por um tempo.



O problema tem rosto. E esse rosto é o nosso.


Em escala global, três de cada quatro suicídios são praticados por homens. No Brasil, esse número chega a quase quatro em cada cinco. Homens morrem de suicídio a uma taxa quase quatro vezes maior do que as mulheres — não porque tentem mais, mas porque, quando tentam, usam meios mais letais. E porque demoram mais para pedir ajuda. Ou nunca pedem.


Isso não é fraqueza. É um mal que aflige milhares de pessoas.


Especialistas apontam exatamente isso: as mulheres são mais abertas a tratamentos e tendem a buscar suporte antes que a crise se agrave. Os homens esperam. Esperam mais. Às vezes, esperam demais.


E o dado que talvez me tenha incomodado mais de tudo: de 2010 a 2022, no Brasil essas mortes cresceram mais de 70% em números absolutos. Não é um problema estacionário. É uma curva que sobe.


Por que estou falando disso aqui?


Porque falta um mês para o DGR. E o Distinguished Gentleman's Ride não é só um passeio bonito de moto.


O evento nasceu em 2012, em Sydney, na Austrália, da cabeça de Mark Hawwa — um motociclista que entendeu que havia algo de especial na imagem do homem vestido com elegância sobre uma moto clássica. Não como pose. Como declaração. Como convite para uma conversa diferente sobre o que é ser homem.


Desde então, o DGR percorreu um caminho notável. Em 2025, mais de 125 mil motociclistas participaram do evento em mais de mil cidades, em 108 países. Desde sua fundação, foram arrecadados mais de 60 milhões de dólares destinados à Movember, que é a principal organização de saúde masculina do mundo, com foco em câncer de próstata, câncer testicular, saúde mental e prevenção ao suicídio.


Traduzindo: o DGR é, hoje, o maior evento motociclístico beneficente do planeta. E sua causa central é exatamente essa — falar sobre o que os homens não falam.


O que um passeio de moto tem a ver com saúde mental?


Tudo, na minha visão.


Há uma coisa que acontece quando você coloca o capacete, dá a partida e sai pela estrada. O barulho do mundo some. As notificações param. O peso das coisas não resolvidas fica, por um momento, para trás. Não é escapismo — é presença. É você obrigado a estar aqui, agora, com a estrada à frente e o motor embaixo.


É isso que chamo de Slow Ride. Não uma categoria de velocidade. Uma filosofia de pilotar. A convicção de que a moto não é apenas um veículo — é um ponto de partida para encontrar a si mesmo.


E o DGR, ao colocar milhares de pessoas juntas, vestidas com cuidado, pilotando com estilo, conversando depois do passeio, faz algo que nenhuma campanha de cartaz consegue: cria o ambiente em que o homem se sente autorizado a ser humano.


Não é terapia de grupo. É melhor. É comunidade.


O que um evento pode fazer?


Pode parecer ingênuo acreditar que um passeio de moto salva vidas. Mas deixa eu te contar o que a ciência diz sobre o suicídio masculino: o principal fator de proteção não é um medicamento nem uma campanha. É o pertencimento. É o sentimento de ser parte de algo, de ser visto, de ter quem note quando você some.


O DGR cria pertencimento. E pertencimento, para um homem que está carregando algo pesado em silêncio, pode ser exatamente o que falta.


Trinta e três homens. Todo dia.


Se um evento como esse mudar o curso de um desses dias para um único homem — já valeu cada quilômetro.


Acesse o meu perfil no DGR https://gentlemansride.com/fundraiser/classicmanride e me ajude a combater por essa causa. Além disso, você está mais do que convidado a estar comigo nesse dia com sua moto. Escolha sua cidade e participe.


Nos vemos na estrada.



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© 2024 por José Caetano. Criado com Wix.com

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