A estrada que lembra a Escócia e termina num café perfeito em Campos do Jordão
- José Caetano

- há 1 dia
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Sabe quando você passa numa estrada que já faz parte de sua vida há muito tempo, mas naquele dia ela parece diferente? Na verdade, não é a estrada inteira que está diferente, mas você está com a mente tão serena, tão atenta no momento presente, na pilotagem, que você começa a reparar em trechos de mata que nunca havia prestado atenção, ou em vistas que pareciam não estar ali antes.
Isso foi exatamente o que aconteceu comigo no último sábado quando foi cumprir uma promessa de levar minha mulher para um café da manhã no Tapiti Restaurante & Brunch, que fica numa estrada pitoresca, pertinho do Mirante do Lajeado, em Campos do Jordão.
O destino eu descobri por acaso quando fui praticar o Slow Ride naquela mesma estrada, que faz parte do Circuito Gavião Gonzaga, e liga a cidade de Campos do Jordão até o km 40 da Floriano Rodrigues Pinheiro. Ao buscar um lugar para tomar um café, parei na antiga estação da Estrada de Ferro Campos do Jordão que fica naquele vilarejo e me foi aconselhado voltar uns poucos metros até o Tapiti.
Bendita descoberta que me fez conhecer um lugar tão bacana, mas naquela primeira vez eu estava sozinho. Porém, agora, cumprindo a promessa que fiz, subi a serra com minha garupa preferida já com itinerário certo.

O Trajeto já pode ser o destino
Antes de falar exclusivamente do Tapiti Restaurante & Brunch, preciso falar da estrada Municipal Aurora Nogueira Barros Vasconcellos que, como disse anteriormente, faz parte do circuito conhecido como Gavião Gonzaga. É nessa estrada que você encontra o Parque da Cerveja e o famoso Toriba, além do acesso ao Pico do Diamante, um lugar perfeito para contemplar o nascer do sol do alto da Serra da Mantiqueira, a mais de 1800m de altitude. Eu já acampei por lá e confesso que a vista é inesquecível.
Mas a dita estrada municipal passa quase desapercebida para quem está subindo para Campos do Jordão pela Floriano Rodrigues Pinheiro. Ao passar pela pequena placa do Km 40 à beira da estrada, você já vê um paredão de vegetação que parece um morro que foi cortado em taludes para mitigar o deslizamento crescendo à sua direita, mas não são taludes.

O que parece platôs daquele barranco já é a estrada, que só consegue ser vista por quem para em frente a uma bica d'água logo após um paredão branco. É assim que, olhando justamente para trás, você se depara com uma estrada escondida, asfaltada e íngreme, mas nada absurdo.
Ao adentrar ali, você já percebe que a estrada lembra aquelas pequenas vias que cortam as Highlands escocesas, estreitas, cercadas de precipícios e paredões, com passagem para um carro e uma moto – nunca dois carros – ao mesmo tempo.

Curvas de quase 90º, trechos sinuosos, pequenas cascatas ao lado da estrada, algumas paredes de pedra, poucos guardrails e alguns trechos sem nenhum anteparo entre você e a queda letal ao seu lado, mas nada amedrontador. Ao contrário, as vistas, a vegetação, o clima... tudo nos leva a um estado de relaxamento ímpar quando estamos guiando a moto por ali. Não sei se o carro proporciona isso, mas a moto ali é um pacote anti-stress completo. Para mim, a estrada já podia ser o destino.
Tapiti Restaurante & Brunch
Porém, promessa feita e aquela fome de quem ainda estava em jejum, já lembrando do menu magnífico do Tapiti, era preciso não parar na estrada e seguir até o local. Lá, logo após os elogios bem-vindos da esposa que esperava aquele momento, fomos recebidos pela Júlia, que muito simpaticamente nos direcionou ao salão da lareira, onde buscamos uma mesa junto à janela lateral, com uma vista para um campo de grama, rodeado de altas árvores típicas daquela altitude.
Pedimos cappuccino — é nosso item comparativo de qualidade desde que moramos em Roma —, um toast de ovos mexidos com bacon, que ainda leva um requeijão da casa e uma florzinha comestível e, como "sobremesa", um croissant com recheio de geleia de frutas vermelhas da região e coberto de chantilly. Tinha mirtilos e morangos frescos em cima e dentro do croissant. Talvez tenha sido um dos pratos mais bonitos e saborosos que já comemos.

Saímos de lá levando para casa um pedaço do famoso bolo de frutas feito pela chef do Tapiti e um pacotinho dos biscoitos de laranja que acompanham qualquer café que você pede na casa.
A volta para casa e a estrada diferente
Duas horas depois que paramos ali e aproveitamos as cadeiras confortáveis, a excelente música ambiente e o friozinho da montanha, enquanto eu gravava mais um especial para o canal do Classic Man Ride, chegou a hora de voltar pra casa, para nossos compromissos. Resolvemos voltar pelo mesmo caminho, ao invés de terminar a estrada até Campos do Jordão e descer toda a Floriano Rodrigues Pinheiro.
E foi aí que mais uma coisa surpreendente aconteceu, pois eu já havia passado várias vezes naquela estrada. Até já havia feito diversas paradas ali para fotos, em várias ocasiões. Porém, naquele dia, a descida foi diferente. Poucas horas distanciavam nossa vinda de nossa ida, mas algo estava diferente. As vistas pareciam mais bonitas ou, o mais provável, eu que estivesse diferente na descida.

Enfim, o Tapiti é um lugar que eu recomendo muito, pelo menu, pelo atendimento extremamente agradável, pelo ambiente, mas, especialmente, pelo trajeto para chegar lá. Tanto faz se você vai de Campos do Jordão para lá ou está subindo a rodovia. A estrada municipal em que está o restaurante é tão perfeita para o Slow Ride, que vale o passeio.
Tapiti Restaurante & Brunch (https://www.instagram.com/tapitirestaurante/)
Aberto das 10h às 17h30 (Fechado às terças-feiras)
🐾 Pet Friendly
Estrada Municipal Aurora Nogueira Barros Vasconcellos, 100, Campos do Jordão (Ao lado do Parque Amantikir e pertinho do Mirante do Lajeado)




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