O verdadeiro, bom e velho uísque
- José Caetano

- há 9 horas
- 3 min de leitura
Em tempos de escândalos de corrupção em que nomes de uísque, geralmente erroneamente pronunciados, tomam conta dos noticiários, e que os bourbon e Tennessee whiskys lotam as prateleiras de supermercados, vale a pena falar um pouco dessa bebida oriunda das ilhas britânicas que esteve presente nas mesas de poetas, artistas, dramaturgos e até mesmo de grandes líderes da geopolítica mundial.

Uísque: água da vida
Conta a lenda que o uísque surgiu na Europa medieval, com sua origem disputada entre Irlanda e Escócia, onde monges destilavam cereais por volta dos séculos XII a XV para fins medicinais, chamando a beberagem de “uisge beatha” em gaélico ou “água da vida” (que evoluiu para “whisky”). O primeiro registro escrito data de 1494 na Escócia, uma ordem real para produzir “aqua vitae” a partir de malte.
A técnica de destilação veio para as ilhas daquele arquipélago via monges cristãos, inicialmente para fazer perfumes e remédios, e logo foi adaptada para grãos como cevada na Irlanda (século XI) e Escócia. Inicialmente uma bebida rústica e consumida fresca, ganhou complexidade com o envelhecimento em barris de carvalho no século XVIII.
No século XIX, invenções como o blended whisky por Andrew Usher (1853) democratizaram a bebida, misturando malte e grãos para maior oferta e consistência. Hoje, ela varia por região: escocês (scotch), irlandês (whiskey), americano (bourbon, rye e Tennesse), com teor alcoólico mínimo de 40% e envelhecimento obrigatório.
Guia de compras
Aqui vão 5 uísques escoceses ou irlandeses disponíveis no Brasil em 2026, ordenados do mais caro ao mais acessível, com preços médios em lojas como Amazon ou Mercado Livre, e sites especializados. E não vamos colocar na lista o famigerado Macallan, que anda circulando por mesas não tão nobres ultimamente.
1. Chivas Regal 25 Anos (Escocês, Blend)
Envelhecido por 25 anos em barris de carvalho americano e europeu, oferece notas de frutas secas, canela e mel, com final longo e cremoso – ícone de sofisticação para ocasiões especiais. Preço médio: R$ 2.500 a R$ 3.000
2. Johnnie Walker Blue Label (Escocês, Blend)
Mistura rara de 30+ single malts escoceses, com sabores suaves de baunilha, fumaça cítrica e frutas secas; sem declaração de idade, mas premium absoluto. Preço médio: R$ 1.100 a R$ 1.800.
3. Glenfiddich 18 Anos (Escocês, Single Malt)
Um verdadeiro single malt duplamente maturado em barris de carvalho europeu e americano, entrega notas de toffee, gengibre e chocolate amargo. Preço médio: R$ 900 a R$ 1.200.
4. The Glenlivet 15 Anos (Escocês, Single Malt)
Envelhecido em barris de carvalho francês, com French Oak Reserve, traz pera, caramelo e noz-moscada; suave e acessível para single malts premium. Preço médio: R$ 500 a R$ 700.
5. Jameson (Irlandês, Blend)
Para quem quer fugir dos americanos e se deliciar com um honesto uísque irlandês, triplamente destilado para suavidade, com notas de baunilha, nozes e toque frutado; versátil puro, on the rocks ou em coquetéis como Irish Coffee. Preço médio: R$ 120 a R$ 160.
Beba com moderação
Com essa lista, experimentada por esse pobre jornalista que lhe escreve, seja em meu próprio bar, seja nos bares dos amigos, e sendo essa, sem sombra de dúvidas, minha bebida preferida, talvez por conta dos meus mais de 20% de DNA britânico, posso assegurar que as diversas nuances dessa água da vida seguem aqui representadas e você não ficará perdendo em nada para as mesas ocasionalmente famosas.
Minha sugestão, se você ainda não apreciou um bom uísque, é começar pelos blends e só depois de educar o paladar, partir para os Single Malt, mas a escolha é sua, sempre. Aliás, antes de mais nada, beba com moderação e, se beber não pilote.




Comentários