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O que é o Slow Ride? (E o que não é)

Recentemente, lancei o segundo episódio de nosso podcast Rota Clássica no YouTube e nas plataformas mais famosas de streamings de áudio e o resultado foi muito além daquilo que eu sequer previa e muito menos esperava. O termo “slow ride” se provou um atrativo irresistível para pessoas que, como eu, descobriram um novo jeito de pilotar suas motos, mas dúvidas também surgiram entre os inúmeros comentários às postagens.


Portanto, começo agradecendo antecipadamente às milhares de pessoas que pararam alguns minutos de seu dia para assistirem ao vídeo (milhares mesmo!) e, especialmente àquelas pessoas que dedicaram um tempo maior ainda para comentar o vídeo, provando para mim mesmo que eu não estou sozinho nesse mundo, e que não somos um pequeno número de doidos que, em cima de uma máquina de liberdade, prefiram andar num ritmo em que o chegar ao destino não é o mais importante, mas o próprio trajeto é o que vale a pena.


Tem horas que sinto que sou aquela criança no brinquedo mais divertido do parque de diversões que, ao sentir que se aproxima a última volta, deseja ardentemente que ela seja mais lenta, só para não acabar. Eu tenho uma satisfação tão grande ao pilotar que, se desse, eu faria com que o trajeto nunca acabasse.


Slow Ride e uma parada para o café
o slow ride acontece quando você se dá ao direito de uma paradinha para um expresso num café que fica na rua ao lado

O que é e o que não é o “Slow Ride”


Slow Ride não é andar devagar


A primeira coisa que preciso dizer é que o slow ride não se trata de desacelerar a moto a ponto de você atrapalhar o trânsito ou, pior ainda, se ver envolvido em um acidente porque aquela estrada pedia uma velocidade maior. Não sei se você sabe, mas toda estrada tem uma velocidade máxima definida e, também, uma velocidade mínima, que costuma ser a metade da máxima. Por exemplo, numa estrada em que a velocidade máxima permitida é de 120km/h, a velocidade mínima permitida é de 60km/h.


O slow ride é andar justo. O surgimento do termo slow, que passou a ser usado em todo movimento que pretende viver com maior profundidade a vida, vem da crítica que foi feita ao “fast food”. O primeiro movimento slow organizado foi o slow food, na Itália, que presa pelo prazer na comida e pelo alimento produzido do jeito certo. Não se trata simplesmente de comer lentamente, mas de se alimentar com prazer e consciência.


Na estrada, com a moto, é a mesma coisa. O slow ride não se trata simplesmente de andar devagar (isso pode causar acidentes graves), mas é o rodar com prazer, com todos os sentidos ligados na moto e no entorno. Trata-se do verdadeiro prazer de pilotar.


Slow Ride é um movimento organizado?


Percebi que muitas pessoas que comentaram no vídeo, entenderam, talvez, que o Slow Ride fosse um movimento organizado. Mas, na verdade, a organização desse movimento está surgindo agora, sem intenção, justamente da reunião de inúmeras pessoas que, quando tiram sua moto da garagem e vão para estrada, colocam sua alma para pilotar.


Usei o termo slow ride para denominar esse estilo de pilotagem não para criar uma marca, mas para definir o jeito que mais gosto de pilotar e nunca tive a pretensão de organizar um movimento. Certamente, o slow ride existe antes de mim e a prova disso são os diversos comentários que confirmam essa forma de rolê já era praticada por muita gente, independentemente de que nome isso leve.


No fundo, essa filosofia de pilotagem se assemelha muito ao princípio filosófico dos inúmeros movimentos slow que existem pelo mundo: slow food, slow living, slow fashion, etc. Por isso eu pensei no termo slow ride.


Porém, ainda que não sejamos um movimento organizado, somos muitos slow riders espalhados pelo mundo, e se essa revista digital puder servir para que todos se encontrem e troquem suas experiências, promovam encontros, que assim seja.


Não é um movimento de motos de baixa cilindrada


Ainda que um cidadão jocosamente tenha comentado que isso seria a desculpa da Royal Enfield para adequar suas motos às estradas, o slow ride certamente não é algo voltado exclusivamente para motos de baixar cilindrada. Eu mesmo piloto uma moto de 1200cc e até pouco mais de um ano, rodava com um monstrão de 1600cc pelas estradas. Mas também não é algo só pra quem tem moto prêmium.


É claro que é muito mais fácil você atingir um estado mental de pilotagem, digamos, mais mindful, em uma moto mais lenta, que lhe forçará a pegar estradas secundárias e pilotar com mais parcimônia, porém tudo se trata de seu estado mental. Você pode pilotar a 50km/h, mas com a cabeça cheia de problemas, de fantasmas que não lhe permitem ver o entorno, com o cortisol nas alturas e o ombro todo tenso. Aliás, as maiores vítimas do que podemos chamar de fast ride não estão nas estradas, mas nas ruas das grandes cidades, em velocidades menores que 40km/h, e isso nos leva a outro ponto.


O slow ride não é uma filosofia só das estradas


O praticante do slow ride não tem só aquela estradinha pitoresca, aquela serra cheia de curvas, com cenários incríveis para praticar sua pilotagem. A cidade é o campo em que esse espírito de pilotar se faz mais necessário e ele acontece naquele momento em que você sai de casa 10 minutos mais cedo, pega um trajeto secundário e foge das grandes avenidas lotadas de motoristas alucinados, todos atrasados para seus compromissos.


Na cidade, o slow ride acontece quando você se dá o direito a uma paradinha para um espresso numa cafeteria que fica na rua ao lado, ou ainda, quando, parado no semáforo, você se lembra de respirar calmamente e não cai no bate boca com aquele motorista que acredita que a rua é só dele e de mais ninguém.


Como eu escrevi no ebook Slow Ride – A Arte de Desacelerar na Moto e na Vida, que vai ao ar em breve, “muita gente passa a pilotar do mesmo jeito que vive: correndo”. Quando acontece isso, a moto cumpre a função de transporte, mas falha miseravelmente como experiência.


Se você ainda não sabe do que estou falando, dá uma passadinha no canal de YouTube do Classic Man Ride e assista ao Manifesto Slow Ride:







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© 2024 por José Caetano. Criado com Wix.com

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