Slow Ride: A vida é curta, e é muito importante
- José Caetano

- 9 de jun.
- 4 min de leitura
Parece que foi ontem que a rádio tocava sem parar The Look, com a voz forte da sueca Marie Fredriksson e a guitarra pouco virtuosa, mas harmoniosa de Per Gessle e eu ainda pedalava minha recém comprada Mountain Bike da Caloi pelos barrancos dos bairros vizinhas à minha casa, na minha terra natal.

Na mesma época – 1989 se bem me lembro – meus primos e eu sabíamos a hora que o vizinho de minha madrinha chegava de seu trabalho, dando aquela clássica reduzida do motorzão de uma CB 400, para alegria dos caras sentados na varanda. Vilela era o nome do vizinho, nosso ídolo, quase um Tom Cruise que tinha acabado de estrelar Top Gun poucos anos antes, com sua jaqueta de couro e aquela "cebezona".
Eu não tinha consciência, mas certamente aquele vizinho, naquela época, provavelmente era uns 10 anos mais novo do que sou hoje e, se ainda houver esperança no mundo, ainda deve ter alguns moleques sentados na varanda esperando a hora que eu passo e dou aquela reduzida bacana no bicilíndrico da minha Bonneville T120, a Rosie.
Talvez Roxette tocasse The Look para aquela moto japonesa que já foi o sonho de muito adolescente da minha idade, quando as gigantes americanas eram mais raras pelo interior, por causa da vedação das importações. Ah, claro, havia as Kawazaki Ninja que vinham importadas do Paraguay num esquema pra lá de complicado, mas a CB400 era a moto que tinha o "look".
Reduzir a velocidade para viver o instante
“Meu amor, a vida passa num instante, e um instante é muito pouco pra sonhar” – já cantava Oswaldo Montenegro enquanto eu enchia meu armário do escritório de pilhas de Moleskines velhos, cada um marcando em sua capa um ano de muitas aventuras. Mas é justamente sobre esse instante que é preciso refletir.
Se a vida passa num instante, num piscar de olhos como eu li certa vez, por que temos que viver acelerados o tempo todo? Será que se acelerarmos muito, quase na velocidade da luz, a vida fica mais lenta? A Teoria da Relatividade de Einstein meio que propõe isso, mas quem conseguiu acelerar tanto a essa velocidade, de maneira que pudesse distorcer o tempo a seu redor? Qual ser dotado dessa energia ultra foi capaz disso e voltar para a contar a história?
Portanto, já que não temos poderes angelicais, nem corpos gloriosos pós-ressurreição, e nossa tecnologia não chegou nem perto de nos colocar par a par com o deslocamento de um fóton, o segredo está exatamente no contrário, isto é, em desacelerar, em viver cada momento bem vivido.
É por isso que eu tenho falado tanto aqui no Slow Ride – que é aquela maneira de pilotar mais presente, o que não significa mais devagar. O Slow Ride é uma desaceleração da alma, da mente, não da moto, propriamente.
Se você tiver a curiosidade de pesquisar sobre o movimento Slow, que teve origem lá no Slow Food, na Itália, nos anos 80, vai compreender que, na verdade, as pessoas estão compreendendo que precisam desacelerar para curtir o instante da vida. E no caso da moto isso tem muito mais sentido, porque andar pilhado, esticando o cabo, pode fazer com que o instante de sua vida seja realmente um pequeno instante.
Reduza pelos que lhe amam
Agora, portanto, dê uma olhadinha na sua vida. Não nos problemas, é claro – e isso eu falo pra mim mesmo, que sou um péssimo avaliador de meus próprios passos. Mas, veja quantas pessoas gostam de você, quantas se importam com você e, principalmente, quantas pessoas amam você.
Eu sei que a lista diminui com o passar do tempo, como o já citado Oswaldo Montenegro também cantou – gosto desse cara! Mas a lista que está mais ativa certamente é recheada de pessoas com maior profundidade.
É para essas pessoas que a sua vida vale a pena. É para eles que vale a pena desacelerar.
Além disso, dê uma olhada onde você mora. Quem sabe, a 3km de sua casa, você encontre um lago sereno e bonito, ou alcance uma vista da serra ao fundo, ou aviste aquela grande árvore que você viu crescer ao longo da vida. É para isso que você desacelera.
Desacelerar vale a pena! Especialmente quando você desacelera para quem você ama.

Slow Ride: O Livro
No fim das contas, eu precisava escrever sobre aquilo que batizei de Slow Ride em um livro, que não é um livro de autoajuda, ainda que possa lhe ajudar a compreender muitas coisas. Também não é um livro de técnicas de pilotagem, até porque eu sou um péssimo piloto e ainda tenho muito que aprender, apesar das dezenas de anos pilotando motos. Mas é um manifesto daquilo que eu consegui aprender vivendo. Eu precisei desacelerar para poder ver a vida passando tranquilamente ao meu lado.
E, como Nosso Senhor nos disse uma vez: "De graça recebestes, de graça dai" (Mt 10,8), eu resolvi escrever um ebook e oferecer de graça aqui no site. Então, se você quiser entender isso que estou falando, acesse esse link, deixe seu email e recebe o livro totalmente grátis, sem enganação.
Espero que você possa viver cada instante da sua vida e ter tempo suficiente para sonhar em cada um desses instantes.




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