O smartphone venceu em conveniência, mas perdeu em profundidade cognitiva
- José Caetano

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Num mundo em que tudo cabe na tela, escrever no papel continua sendo um ato de resistência cognitiva: mais lento, mais físico e, para o cérebro, mais profundo. E é algo que tenho percebido desde que, em meio a dois projetos editoriais grandes, meus textos para a Gazeta e meus jobs na área de consultoria de marketing e copywriting, ter tudo anotado em um caderno foi a maneira mais concreta de não naufragar em meio às ondas de tarefas diárias, em sua grande maioria, exigentes de minha criatividade.
Conversando com alguns psicólogos e neurologistas, minhas suspeitas foram se confirmando e revendo minhas anotações de Psicogenética — sim, eu também fiz parte de um grupo de pesquisa do comportamento humano, por mais que você duvide — pude me aprofundar ainda mais nos benefícios da arte de manuscrever.

Moda ou Ciência?
Moleskines, Field Notes e outros famosos caderninhos e cadernetas se tornaram trend nas redes sociais nos últimos anos, bem como, diversos métodos de anotar a vida no papel. Entre esses, eu destaco o Bullet Journal, criado por Ryder Carrol, por ser o método que tenho usado nos últimos dois anos e que tem realmente me ajudado a aumentar minha produção, à medida que aproveito melhor o meu tempo e diminuo a sobrecarga mental em minha vida.
Mas, existem sérias pesquisas que confirmam que o ato de escrever é particularmente benéfico para nossa saúde mental. Em um artigo publicado pela revista Life, Giuseppe Marano e seus colegas, ligados à Università Cattolica del Sacro Cuore, e à Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli IRCC, de Roma, afirma que “embora a digitação tenha se tornado o principal meio de comunicação escrita, a escrita à mão continua sendo uma habilidade humana fundamental”.
Para Marano, “com base em estudos de neuroimagem, os autores analisam como escrever à mão e digitar ativam de maneira distinta regiões do cérebro relacionadas ao controle motor, à percepção sensorial e às funções cognitivas de ordem superior”.
Como resultado, eles perceberam que a escrita à mão ativa uma rede mais ampla de regiões cerebrais envolvidas no processamento motor, sensorial e cognitivo, enquanto que a digitação resulta em um envolvimento cognitivo mais passivo.
A virtude está no meio
Obviamente, no mundo de hoje, com IAs e compromissos acelerados por todos os lados, a virtude está no meio, entre o excesso e a deficiência, como ensinou Aristóteles. O papel ganha em profundidade, mas o smartphone ganha em praticidade.
Ferramentas como os Lembretes, as Notas e a Agenda do iOS ainda fazem parte da minha vida digital, sem mencionar as horas editando vídeos e produzindo textos como esse aqui. Porém, quando unimos o mundo digital a uma boa caderneta de bolso ou a um belo Moleskine para anotar nossa vida, o bom e o ótimo andam lado a lado.
Portanto, da próxima vez que você notar alguém utilizando o arcaico método da escrita à mão, não pense que esse cara seja um revolucionário contra a tecnologia, pois ele pode estar apenas buscando resgatar seu ritmo humano.
E é isso que aqui nesse site também tentamos fazer com as motos e o Slow Ride. Resgatar o que há de mais humano, de mais profundo sobre uma máquina de duas rodas e um motor à combustão.




Comentários